
Para Paulo Borges, idealizador do São Paulo Fashion Week, 2016 será o ano da moda brasileira no exterior. Ele que aposta suas fichas no setor desde os anos 1980, quando falar de moda nacional ainda era considerado "uma grande bobagem". Para ele, um dos pontos importantes para o longo caminho de internacionalização da moda brasileira é trabalhar o antigo conceito de parque industrial que, segundo ele, "está agora solto pelo mundo".
"Hoje você já tem nomes, no caso da moda no mundo inteiro, que produzem em qualquer lugar do mundo ... Hoje você tem produção da Zara sendo feita no Brasil, e você vai ter produção de brasileiros sendo feita na Itália, Portugal, Espanha, China, Índia. Porque isso encurta as distâncias de distribuição", explica.
"O que vai acontecer como transformação no caso industrial são as vocações produtivas. O Brasil vai tomar algumas especializações e vai poder fornecer produção para determinados mercados onde possa ser mais competitivo. Esse parque industrial vai virar quintal do mundo também", acredita.
Da mesma forma que a chegada de grupos de investimento aconteceu na Europa há 20 anos, espera-se que a consequente internacionalização das marcas européias também seja uma realidade para as grifes no Brasil. "Você tem que pôr um tijolinho atrás de um tijolinho", explica Borges sobre sua paciência e perseverança em tantos anos no mercado. "Quando eu comecei a trabalhar com moda, em 1980, ninguém acreditava em moda no Brasil. Ninguém. Falavam que eu era louco de querer fazer um calendário de moda."
Um comentário:
Interessante pensar a moda da perspectiva de Paulo Borges. Moda, em um passado não tão antigo, era coisa de europeus e ricos! Hoje, a produção globalizada , a globalização financeira permite pensar em moda brasileira para o mundo e não o inverso.
Como Borges afirma é tijolinho por tijolinho, mas estamos chegando lá.
Nubia
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